O relatório aponta que mais de 380 milhões de cristãos enfrentam “altos níveis de perseguição ou discriminação” por causa da fé. Nos 50 países com maior perseguição — os que compõem a lista — 310 milhões vivem sob condições de “muito alta” ou “extrema” perseguição.
Em 2025, foram registrados 4.476 cristãos mortos por motivos relacionados à fé. Além da violência direta, há ataques a igrejas e propriedades cristãs, prisões, deslocamentos forçados, discriminação social e legal, limitação à liberdade religiosa etc.

África (especialmente África Subsaariana e Norte da África / Saara)
- A África concentra muitos países com “perseguição extrema”: por exemplo, Somália (2º), Líbia (4º), Sudão (5º), Eritreia (6º), Nigéria (7º) figuram entre os primeiros da lista.
- Conforme o relatório: “1 em cada 5 cristãos” na África vive sob perseguição.
- A violência no continente é intensa — conflitos, extremismo islâmico, fraqueza estatal e insegurança generalizada aumentam os ataques a cristãos.
- Muitos cristãos estão sendo forçados a fugir de suas casas ou entrar em esconderijos; há também ataques a igrejas e comunidades inteiras.
- Em países onde há instabilidade política, conflitos tribais ou insurgências — como algumas regiões da Nigéria, República Democrática do Congo, Mali, Burkina Faso, Chade — a perseguição tende a ser ainda mais severa.
A África continua sendo a região mais violenta e letal para cristãos, com altos níveis de perseguição, deslocamentos forçados e vulnerabilidade institucional.
Ásia & Oriente Médio
- A Ásia tem a maior proporção de cristãos perseguidos: segundo a Portas Abertas, 2 em cada 5 cristãos na Ásia vivem em países com perseguição.
- Entre os países com “perseguição extrema” na lista 2025 estão: Coreia do Norte (1º), Paquistão (8º), Irã (9º), Afeganistão (10º), Índia (11º), Arábia Saudita (12º), Mianmar (13º) — vários localizados no Oriente Médio, Sul da Ásia ou Sudeste Asiático.
- 2025 registrou crescimento da opressão em certas regiões da Ásia Central — por exemplo, Quirguistão subiu 14 posições no ranking, voltando ao top 50, e Cazaquistão e Tajiquistão também registraram piora.
- No Oriente Médio e em estados autoritários ou de teocracia, as restrições à liberdade religiosa, perseguição a convertidos do Islã, prisões, tortura, e mesmo pena de morte ou trabalho forçado para cristãos “descobertos” são realidade — especialmente em países como Coreia do Norte e Irã.
A Ásia e Oriente Médio — especialmente regiões de regimes autoritários, teocráticos ou com forte extremismo religioso — continuam sendo zonas de altíssimo risco para cristãos, com perseguição sistemática e restrição severa à liberdade de crença.
América Latina
- A perseguição existe, mas em escala muito menor comparado a África ou Ásia. Segundo o relatório, na América Latina a proporção seria algo como “1 em cada 16 cristãos” sendo afetados — bem inferior aos dados de Ásia e África.
- Apesar disso, há países latino-americanos na lista dos 50 mais perseguidos. Em 2025, um destaque preocupante é México — que alcançou sua pior posição histórica, com aumento da violência contra cristãos, devido principalmente à atuação de crime organizado e cartéis que começam a visar líderes e comunidades cristãs.
- Outros países latino-americanos aparecem, embora com “níveis mais baixos” de perseguição que os extremos — o contexto muitas vezes envolve violência não estatal ou discriminação social, mais do que algo sistemático por parte de governos.
A América Latina não está entre as regiões mais perigosas para cristãos no ranking global, mas há sinais de que, em países como México, a violência e o risco para comunidades cristãs estão crescendo — especialmente onde crime organizado e grupos armados têm atuação forte.
Europa
- A Europa não está representada entre os países com perseguição extrema na LMP 2025 — a lista prioriza países onde a perseguição é grave, o que exclui a maioria dos países europeus.
- A ausência — ou posição muito distante — de países europeus indica que, no contexto global, o grau de perseguição contra cristãos lá é consideravelmente menor, em comparação com regiões onde há regimes autoritários, instabilidade política, guerras ou extremismo religioso.
Embora não esteja livre de tensões sociais ou incidentes isolados, a Europa, de modo geral, não figura entre os centros de perseguição global mais intensos segundo o relatório de 2025.
Observações importantes — contexto e limitações
- Os dados do relatório (mortos, deslocados, presos, ataques) chegam a ser subestimados — muitas violações provavelmente não são registradas por medo, repressão ou falta de informação.
- “Perseguição” no relatório não diz respeito apenas à violência física, mas também a discriminação social, repressão legal, limitação à liberdade de culto, pressão comunitária, proibição de conversões ou de expressão religiosa — formas menos visíveis, mas igualmente traumáticas.
- As causas da perseguição variam conforme o contexto: regimes autoritários, extremismo religioso, conflitos étnicos e tribais, crime organizado, instabilidade política e guerras.

Conclusão: onde a urgência é maior — e por quê
- África Subsaariana e partes do Oriente Médio / Ásia continuam sendo os epicentros da perseguição mais violenta — com muitos mortos, deslocados e comunidades cristãs vivendo “sob tiro e medo constante”.
- Ásia Central emerge como uma nova zona de alerta — com países que subiram no ranking e registram restrições intensas à liberdade religiosa.
- Em América Latina, embora o cenário seja menos grave, há sinais de deterioração em países específicos (como México), mostrando que o problema não é restrito às regiões tradicionais de conflito.
Fonte: portasabertas.org.br
